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sábado, 9 de janeiro de 2010

- Filme do Dia - Laranja Mecânica


Laranja Mecânica

Gênero: Policial
Duração: 137min
Origem: Inglaterra
Estréia: Inglaterra - 13 de janeiro de 1972
Estréia: EUA - 2 de fevereiro de 1972
Estúdio: Warner Bros.
Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Anthony Burgess, Stanley Kubrick
Produção: Stanley Kubrick, Si Litvinoff, Max L. Raab, Bernard Williams

Uma obra-prima do diretor Stanley Kubrick que já conquistou seu lugar no hall dos filmes que todo amante do cinema tem que assistir.
Imagens marcantes, histórias complexas e desfechos que dão margem a variadas interpretações. Essas são algumas das características que permeiam a filmografia de Stanley Kubrick e que se fazem presentes de uma forma magistral em “Laranja Mecânica”, filme adaptado da obra de Anthony Burgess, que, por sua vez, sofreu influência de Aldous Huxley, autor de “Admirável Mundo Novo” e um dos percussores na abordagem de retratos comportamentais futuristas. O título do filme, inclusive, seria uma alusão à condição de máquina a que o homem se assemelha quando passa a ser produto do sistema em que vive.
A história gira em torno de Alex, um jovem que vive numa conjuntura indefinida de um futuro próximo, talvez. Ele e seu grupo, assim como outras gangues semelhantes, vivem de cometer delinqüências apenas pelo prazer de fazê-lo. Assaltam, estupram e assassinam sem nenhum tipo de culpa ou remorso como parte de sua rotina.
O que Alex não esperava, no entanto, era ser capturado pela polícia em uma dessas suas “aventuras” e ser submetido a um novo tratamento experimental com objetivo de “curar” indivíduos delinqüentes. O jovem é injetado com a droga milagrosa enquanto é exposto a cenas da chamada “ultraviolência”. Alex desenvolve, então, aversão às atividades que antes praticava e, por associação, à 9ª Sinfonia de Beethoven, sua música preferida.
Devolvido à sociedade, Alex colhe os maus frutos de seu passado. Pessoas antes agredidas por ele agora podem se vingar sem que ele possa se defender. Até seus antigos companheiros de gangue, que haviam se sentido traídos e ultrajados pelo jeito autoritário de seu ex-líder, abusam agora da condição de Alex para agredi-lo. O jovem sofre efeitos que o incapacitam apenas à vaga menção da prática de violência.
Malcom McDowell, que interpreta Alex, talvez seja – além da direção magistral de Kubrick – o grande trunfo de “Laranja Mecânica”. O ator consegue passar toda a repugnância do personagem na primeira parte da história, assim como a compaixão que ele desperta depois de submetido ao “tratamento” na prisão. Não se sabe ao certo o tipo de sentimento que se espera do espectador com relação ao protagonista depois do término do filme e talvez outro ator não conseguisse transitar com tanta competência entre essas nuances de personalidade que o personagem exige. Além disso, a figura de McDowell já se tornou um símbolo clássico de associação dessa obra de Stanley Kubrick.
A trilha sonora conta com peças de compositores famosos, sendo mesmo a 9ª Sinfonia de Beethoven a melodia que permeia os momentos principais da história. Uma contradição bastante comentada com relação à trama de “Laranja Mecânica” é justamente o contraste entre a personalidade violenta de Alex e a sua sensibilidade e capacidade de se emocionar com a música de Beethoven.
Outro ponto destacável é a presença de cenas fortes pelo seu conteúdo e estética. Kubrick consegue construir imagens que não se dissolvem facilmente na cabeça do espectador. O momento em que Alex e sua corja agridem um bêbado na rua, assaltam um casal logo no começo da história ou a famosa cena inicial em que o olhar fixo do protagonista vai dando abertura ao cenário totalmente surreal de uma leiteria onde os jovens ingerem substâncias “estimulantes” podem ser citadas como alguns dos inúmeros momentos memoráveis da projeção.
Uma espécie de vocabulário particular também é apresentado no filme. Palavras como “guliver” e “devotchka” são usadas para substituir “cérebro” e “moça” respectivamente. Todas essas associações, no entanto, têm uma relação lógica pensada pelos roteiristas e diretor.
O desenvolvimento da trama propriamente dita não segue nenhum padrão batido ou clichê. Até o momento final, muita coisa permanece em aberto e explicações lógicas não cabem no roteiro. As diversas interpretações e entendimentos ficam a critério de cada espectador e suas referências particulares.
“Laranja Mecânica” faz parte da lista de filmes que todo amante do cinema tem que assistir. É instigante, é marcante, é desafiador, é uma das razões pelas quais Stanley Kubrick é tido como um dos melhores diretores de todos os tempos.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

- Sessões - idicações para um dia dificil.

Nessa pagina, eu, vou indicar filmes pra todos os tipos de situações diferentes que acontecem com todos os tipos de pessoas que se sentem desesperadas em seus mundos complicados e escrotos com pessosas chatas que vivem pegando no pé da gente e fazem das nossas almas coisas mortas e horrendas, você sente vontado de gritar:

-AHHHHHHHHHHHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA !!!-

Pra começar está sessão é para indicar filmes para quando você chega do trabalho em um dia dificil de trabalho, ou o seu time perdeu, ou a pessoa que vc amo te deixou muito mal, ou sei lá (alguem que tenha morrido). O importante é somente nesta sessão é tentar curtir um bom filme e tentar esquecer as coisas ruins da vida.

São 3 filmes basicos só para começar:

1º- Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final, O
Um filme que permanece visualmente atual até hoje, “O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final” é uma obra-prima do cinema de ação, que traz toques de filosofia, ficção e até drama para o gênero, de uma maneira única e sem prejuízo da adrenalina.

Nos sete anos que separam o primeiro "O Exterminador do Futuro" desta continuação, que ganha o subtítulo "O Julgamento Final", o diretor James Cameron se tornou um cineasta mais maduro e as capacidades técnicas para se colocar na tela a história que o diretor/roteirista imaginou o acompanharam. Mesmo atualmente, o filme é completamente irrepreensível do ponto de vista técnico. No entanto, existem ínfimas falhas narrativas as quais serão analisadas posteriormente.

Após um breve prólogo mostrando que a guerra no futuro apocalíptico continua, o filme nos leva um pouco mais de uma década após os eventos do longa original. Sarah Connor (Linda Hamilton) está presa em um hospital psiquiátrico para os criminalmente insanos, diagnosticada como louca após tentar explodir uma fábrica de computadores tentando evitar a ascenção da super máquina Skynet. Seu filho, o futuro salvador da humanidade John Connor (Edward Furlong) está com pais adotivos.

O jovem cresce rebelde, usando os conhecimentos de informática, mecânica e de combate aprendidos em seu tempo com a mãe para pequenos furtos, se sentindo traído após a prisão desta, acreditando também que ela é insana. No entanto, John se depara com um brutal despertar quando um novo modelo de Exterminador, o T-1000 (Robert Patrick), chega do futuro para matá-lo.

Também chegando do século XXI está um novo T-800 (Arnold Schwarzenegger), reprogramado pelo John Connor daquela época para proteger sua versão mais jovem. Após resgatar Sarah do hospital psiquiátrico, esse grupo de renegados terá a missão de levar a cabo as palavras de Kyle Reese e mostrar que realmente "não há destino se não o que fazemos", impedindo a rebelião das máquinas e o vindouro apocalipse.

Já nesta sinopse já é possível notar que há um escopo maior na trama. Se anteriormente o foco era levar a cabo o destino, aqui o objetivo é alterá-lo, algo consideravelmente mais complicado, possibilitado teoricamente pelo próprio Kyle Reese, que havia afirmado que o seu futuro horrendo era apenas "um futuro possível". Como roteirista, James Cameron jamais esquece a mitologia criada por ele na fita anterior. Trabalhando ao lado de William Wisher Jr. no script, a dupla se utiliza de pequenos pontos deixados na fita original para contar a história desta produção.

São resgatadas coisas como o fato de que cães poderem detectar os exterminadores, o psicólogo forense Silberman, a foto tirada pelo garotinho hispânico de Sarah (e que será dada no futuro por John para Kyle), a já citada frase proferida pelo Connor do futuro e enviada para sua mãe e, principalmente, a mão esmagada do primeiro T-800. São elementos que podem parecer ínfimos – e por vezes até o são – mas que ajudam a estabelecer a sensação de continuidade, algo importantíssimo para as ambições que o cineasta propõe com esta película.

Ainda há a inserção, mesmo que tímida, de um tema mais complexo. Se, no primeiro filme, a noção que tínhamos das máquinas era de que estas eram criaturas frias e de que aquele futuro horrendo ocorreu por uma decisão de pura lógica e "maligna" da Skynet, há uma menção de que este sistema automatizado de defesa somente declarou guerra contra a humanidade em um ato de auto-preservação, depois que os humanos que a operavam tentaram desligá-la, entrando em pânico após perceberem que a máquina havia adquirido consciência.

A própria relação entre o Exterminador T-800 e John Connor é altamente paternal. O Exterminador chega a dizer que seu sistema foi desenhado para aprender com novas experiências e afirma ainda que sente uma versão própria de "dor". Buscando entender como funciona as dinâmicas entre os seres humanos, o Exterminador passa a se parecer cada vez mais com eles, mimetizando as reações e os sentimentos destes enquanto protege incansavelmente o pequeno John.

A relação entre o trio T-800/John/Sarah é extremamente valiosa para que o funcionamento do filme. Inicialmente, a dinâmica dominante é entre o Exterminador e seu protegido, com o comportamento de um sendo imprescindível para tornar o outro mais simpático junto ao espectador. Sem o Exterminador, John seria apenas um moleque ridiculamente chato enquanto sem o jovem ao seu lado, T-800 jamais começaria a tentar entender as nuances do comportamento humano, e seria tão simplista quanto seu antecessor.

Daí chega Sarah Connor. Inicialmente Sarah parece bastante fria, sem em nada lembrar a adolescente tão humana que havia aparecido no primeiro filme. No entanto, aos poucos, percebemos quanta humanidade há nela, que acaba por extravasar em um dos momentos mais fortes do filme. Psicologicamente maltratada por ser uma Cassandra moderna, fadada a ver um amanhã terrível sem ninguém acreditar nisso, é o amor por John que faz com que vejamos novamente a centelha de humanidade floresça nela.

Tais características, no entanto, jamais transpareceriam para o espectador não fosse a ótima química entre Arnold Schwarzenegger, Linda Hamilton e Edward Furlong. O primeiro, já mais experiente como ator, se faz valer até de suas fraquezas dramáticas para interpretar seus personagens. Parece mesmo que Schwarzenegger estava realmente aprendendo a agir como humano no decorrer do filme. Sem contar que ele aqui está no auge de sua forma como herói de ação. Poucos homens conseguem ser tão brutos enquanto dirigem uma motocicleta e atiram com uma escopeta ao mesmo tempo.

Linda Hamilton, por sua vez, mostra muito bem a complexidade de Sarah Connor, dividida entre a dureza militar que teve de encarnar para sobreviver ao que virá e a ternura de seus sentimentos por John, com destaque para suas cenas no hospital psiquiátrico e para aquela que se passa na residência dos Dyson, na qual a atriz está absolutamente fantástica, se mostrando dividida entre sua missão e o que considera moralmente correto.

Edward Furlong, por sua vez, é pura energia, contagiando o público como o rebelde Connor. Suas interações com Schwarzenegger, que, conforme já dito anteriormente, limam o efeito "menino-prodígio" do jovem personagem, já valem o filme, sendo cômicas e dramáticas na medida correta. Pena que o ator não teve uma das carreiras mais brilhantes após este longa, pois se mostrava um jovem bastante promissor.

Já o vilão T-1000 de Robert Patrick não chega a ser tão marcante quanto o T-800 no longa original. No entanto, o modo como Patrick "corre" em sua forma humana atrás de suas presas consegue ser tão neutro que chega realmente a assustar. Sem contar que, como se trata de um infiltrador mais avançado, sua interação com humanos é mais "naturalmente forçada", chegando ao ponto de provocar arrepios.

No entanto, para contar uma história maior, Cameron não se furta em ampliar o foco de sua câmera. Se na fita anterior víamos o predomínio de cenas noturnas e escuras, com uma quase ausência de cenas mais ambiciosas em ambientes mais iluminados, o diretor já engata uma incrível perseguição automobilística em plena luz do dia, envolvendo uma moto e um caminhão (em nova referência a "Transformers"). Aliás, o longa todo tem um visual mais "claro", uma boa opção do cinematógrafo Adam Greenberg.

É extremamente difícil escolher a cena de ação mais eletrizante neste filme. Desde a já citada perseguição automobilística, passando por uma sequência envolvendo um helicóptero, o tenso resgate de Sarah Connor… Enfim, James Cameron realmente fez o que quis nesta película contando, mais uma vez, com o auxílio do já falecido mago da maquiagem e das criaturas Stan Winston. No entanto, Winston não foi a única arma de Cameron, que recrutou a Industrial Light & Magic para criar os fabulosos efeitos de metal líquido para o T-1000, criando perfeitamente o maleável, cromado e implacável perseguidor deste longa.

Mesmo se utilizando da computação gráfica para como parte do novo vilão, o diretor jamais se furta de se utilizar efeitos práticos e explosões reais nas cenas de ação do longa, ressaltando-se ainda o espetacular trabalho da equipe de dublês da fita, altamente competentes. A trilha sonora de Brad Fiedel, que havia sido um dos pontos fracos do primeiro episódio, finalmente encontra o tom certo. Em sua parte musical, o longa ainda conta com breves som do bom e velho rock, representados por "Bad to The Bone" de George Thorogood and The Destroyers e "You Could Be Mine" da banda Guns N' Roses, que chega até a ser referenciada no filme em uma sequência de ação que conta com… armas e rosas!

Na montagem do longa há um pequeno problema, já que o filme começa à toda velocidade e acelerando quando, de repente, há uma diminuição brusca no ritmo da fita, para depois voltar ao passo anterior. Neste momento mais "calmo", acaba havendo uma quebra no crescendo do filme que chega a incomodar, mas não chega a comprometer. Há ainda dois pequenos furos de roteiro já durante o clímax do filme, mas já era tarde. Mesmo imperfeito, a fita já havia se tornado tão marcante que meros deslizes não a diminuiriam tanto assim.

A mensagem da secretária eletrônica de Sarah Connor, lá no primeiro filme, dizia que "as máquinas também precisam de amor". Este "O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final" provou que ela estava certa, já que foi esse sentimento que levou a mitologia a um novo patamar. No entanto, o filme jamais esqueceu que ninguém vive somente de amor, misturando-o com uma dose cavalar de ação, resultando em uma das melhores ficções científicas já produzidas e em um dos maiores clássicos cinematográficos dos anos 1990, sendo atual até hoje. Recomendado.

2º- O Clube da Luta
No caso do Clube da Luta, esse algo a mais é simplesmente excepcional. Possibilitando-o ter várias interpretações, servindo, por exemplo, de inspiração para brincadeira de moleque a objeto de uma amostra sobre a violência no cinema organizada por uma universidade federal.

ATENÇÃO: Se você ainda não assistiu ao filme, lembre-se que aqui nesta matéria contém fatos que podem revelar algo do filme ou de sua história ("spoilers"), por isso fica ao seu critério ler ou não a matéria.

Em uma trama envolvente, o filme o leva por uma edição rápida e confusa, que lhe traz à atmosfera do mundo criado pelo personagem de Edward Norton (conhecido apenas como “narrador”). No começo, temos um papo sobre comprar coisas em catálogos e sobre o valor que isso tem em nossas vidas, filosofia barata? Não mesmo. Com o decorrer do filme, destacam-se as fortes cenas de luta, violentas por sinal, assim como as missões da organização criada por Tyler Durden, personagem de Brad Pitt. A essa altura, já nem lembramos mais daquele começo filosófico sobre o consumismo, mas nesse ponto é que a aplicação dada a essa “filosofia” chega ao ápice.
Se você ainda não assistiu a esse filme e não gosta de que lhe contem detalhes do filme, pule esse parágrafo, posso estragar uma grande surpresa. Na verdade, os personagens de Edward Norton e Tyler Durden são a mesma pessoa. Tal fenômeno é conhecido como distúrbios de personalidade múltipla, teoria psicológica que estava muito em voga na época em que o filme foi feito.

Esse distúrbio é causado muitas vezes por sentimentos reprimidos ou por traumas anteriores, destarte a pessoa realiza uma dissociação em seu cérebro. No caso do filme, o personagem de Edward Norton era um escravo do sistema e queria libertar-se. Incapaz porém de realizar esse desejo, criou Tyler Durden que, como este próprio diz: “eu aparento como você (personagem de Edward Norton) quer aparentar, eu trepo como você quer trepar, sou esperto, capaz e, o mais importante, livre em todas as maneiras que você não é”. Quando pensamos que pára por aí, o filme vem com mais uma: vários pontos de uma corrente psicológica chamada de Psicologia Crítica são abordados no filme, tais como a do Homem Unidimensional. Vale a pena salientar outro ponto positivo do filme. O fato de Tyler Durden ser o amigo imaginário do “narrador” pode ser percebido em várias cenas do filme, não é muito difícil, porém não deixa de ser sutil. É um ponto positivo, porque não há uma trama mirabolante como, por exemplo, os filmes do Shyamalan, que acabam deixando tudo sem pé nem cabeça durante a trama, só para evitar ao máximo que adivinhemos o final. É somente aqui, no final, que ele encaixa umas peças que faz com que tudo faça sentido. Nada contra o Shyamalan, ele é brilhante, seus filmes são bons e ainda trazem uma certa crítica junto.

Psicologia Crítica é uma teoria cujo um dos responsáveis foi Marcuse. De forma bastante resumida e leiga, pois eu definitivamente não domino o assunto, seria o seguinte: somos escravos do sistema e a única maneira de sair desse sistema é criando o seu próprio. Não adianta dizer: ah, mas eu sou um independente e alternativo! Jamais estaria dentro de um sistema! Acredite, você está dentro de algum sistema previsto pelos responsáveis. Quem seriam esses caras? Os poderosos (a elite) de todas as teorias políticas, sociológicas e afins. Só que esses são mais discretos e muitas vezes não são percebidos por nós. Esqueça Bush ou Bin Laden, são pessoas por trás deles. É realmente frustrante saber que por mais que lutemos contra, sempre estaremos dentro de um sistema previsto e por mais que tentemos nos personalizar, acabamos sempre sendo unidimensionalizados, em outras palavras, massificados.

A abordagem do filme quanto a essa teoria é simplesmente fantástica. Começa com uma grande quantidade de informações na auto-descrição do personagem de Edward Norton. Nela ele admite ser um consumista, o qual fica lendo catálogos de compra em vez de pornografia, tentando se definir através do que ele possui e não do que ele é. Até que Tyler chega com a seguinte frase: as coisas que você possui, acabam possuindo você. À medida que o filme vai passando a coisa deixa de ser teórica e passa a ser prática. Tyler Durden cria seu Projeto de Destruição, seu próprio sistema, e atrai muitos seguidores em busca da liberdade prometida. No entanto, seus seguidores acabam apenas trocando de sistema, saindo da alienação de um para a de outro, o que é demonstrado na forma caricatural como alguns membros do Projeto de Destruição comportam-se. Poderia me delongar mais sobre quantos exemplos de Psicologia Crítica encontramos no filme, porém vou deixar isso para os leitores.

Finalmente abordemos aspectos mais técnicos do filme. Com um enredo dessa magnitude, assinado por Jim Uhls, não seria preciso boas atuações, porém os três protagonistas vão além do normal. Brad Pitt encarna seu personagem egocêntrico e confiante. Edward Norton dá um ar inseguro e paspalhão ao seu personagem, modificando-se à medida que este vai adquirindo mais as características de seu “amigo imaginário”. Por fim, a personagem Marla Singer (Helena Carter) completa o trio, com um tom sarcástico, mórbido e irônico. Os detalhes complementares do filme (elenco de apoio, trilha sonora, fotografia…) se não contribuem para abrilhantar o filme, não chegam sequer a arranhar sua excelência.

Estranhamente, a bilheteria foi um fracasso. Tendo custado 65 milhões de dólares, o filme arrecadou apenas cerca de 37 milhões nos Estados Unidos. Creio ser ele, no entanto, um filme de uma aparente proposta ordinária, porém que contém inúmeras surpresas para os mais atentos. Acredite, há ainda diversas críticas e teorias em menor destaque que eu não abordei nesse texto, evitando deixá-lo demasiadamente longo. É uma excelente opção para quem quer apenas se divertir ou quem está procurando algum objeto para aquele trabalho de faculdade, sendo perfeitamente coerente cogitá-lo como uma excelente união entre o Blockbuster e o filme de arte.


3º- Conta Comigo
O célebre escritor Stephen King mostra ser eficiente também em tramas não-sobrenaturais. Baseado na sua obra mais pessoal, em que ele narra um episódio de sua infância, “Conta Comigo” é uma aventura marcada por ótimas interpretações dos jovens atores, além de ser uma tocante lição de vida que exalta a importância da amizade em nossas vidas.

Famoso por suas tramas sobrenaturais como “O Iluminado” e “Cemitério Maldito”, Stephen King emocionou o mundo com “The Body”, sua obra mais pessoal, a qual “Conta Comigo” foi baseada. Tomando como base a si próprio, ele passa toda a emoção de ser jovem e de amizades verdadeiras.

O filme conta a estória de Gordie Lachance (Richard Dreyfuss), um escritor, que recorda quando tinha entre doze e treze anos no verão de 1959, quando vivia em Castle Rock, Oregon, uma localidade com 1281 habitantes que para ele era o mundo inteiro. Gordie tinha três amigos inseparáveis: Chris Chambers (River Phoenix), Teddy Duchamp (Corey Feldman) e Vern Tessio (Jerry O'Connell). Chris era o líder natural deste pequeno grupo, mas a família dele não era boa e todo mundo sabia que ele ia se dar mal na vida, inclusive ele. Teddy era emocionalmente perturbado, pois o pai tinha acessos de loucura, inclusive chegou a colocar a orelha de Ted no forno. Vern era o mais infantil do grupo, quem os outros adoravam tirar sarro. Tentando achar um vidro cheio de moedas que tinha enterrado, Vern ouviu por acaso seu irmão e um amigo falando onde estava o corpo de um garoto que tinha ido colher amoras há três dias e nunca mais tinha sido visto. Os garotos queriam achar o corpo, pois vislumbravam a possibilidade de se tornarem heróis. Cada um deu uma desculpa em casa e partiram para tentar encontrar o corpo. Nenhum deles tinha idéia que esta viagem se transformaria em uma jornada de autodescoberta que os marcaria para sempre.

Não é nada difícil de perceber que Stephen King se espelhou nele mesmo para construir o personagem Gordie. Muitas são as referências no filme que ligam o personagem ao autor, como o fato dele adulto ter se tornado um escritor famoso, desde criança tinha a fama de saber contar estórias surreais (a estória sobre o menino gordo contada por ele em uma cena do filme, é hilariante), o fato de seu irmão mais velho ter morrido vítima de um acidente de carro, além de mostrar um episódio o qual ele assumiu realmente ter acontecido com ele quando criança (o banho no rio cheio de sanguessugas).

Stephen King, através de sua própria história,consegue mostrar como o olhar das pessoas sobre cada um de nós pode influenciar em nossas vidas, mas que por outro lado, podemos sim traçar nossos próprios destinos. Tudo depende de nós. O personagem Gordie (ou o próprio King) era um garoto em que ninguém conseguia enxergar um futuro decente para ele, e ele tinha plena convicção disso. Seus pais sempre deixaram claro a ele sobre a preferência pelo seu falecido irmão (a cena do enterro em que seu pai chega a ele e diz que preferia que fosse ele quem deveria ter morrido, chega a dar um nó na garganta), e suas amizades, não eram o que podiam chamar de “boas influências”. No final, Gordie consegue se dar bem na vida fazendo o que ele tem de mais talentoso: a habilidade para criar estórias. Enquanto Chris Chambers, visto como ladrão por toda a população da pequena cidade, e visto como fracassado por si próprio, consegue se tornar um bem sucedido advogado, mas que por ironia do destino, acaba sendo assassinado ao tentar apartar uma briga.

O roteiro adaptado por Raynold Gideon e Bruce A. Evans é muito eficiente, conseguindo transmitir sem falhas todas as principais lições de vida do livro de King. Enquanto a direção de Rob Reiner (de “Questão de Honra”) é firme, e consegue manter um clima eletrizante, e ao mesmo tempo, sempre leve e divertido, recheado com boas doses de humor, até mesmo nos momentos de tensão que o filme proporciona.

O filme consegue ser tocante desde a sua cena inicial, quando Gordie adulto lê em seu carro a notícia sobre a morte do “famoso advogado” Chris Chambers, seu grande amigo de infância, e se emociona ao ver dois garotos andando de bicicleta, fazendo com que todas às suas lembranças da juventude voltem à sua cabeça em um fluxo de consciência. Isso não acontece conosco? Ás vezes nossas vidas andam tão cheias, que esquecemos o quanto é bom relembrarmos os bons momentos de nossas vidas.

A partir de então, somos jogados à memória de Gordie em sua conturbada infância. Mesmo com a falta de perspectivas quase que geral em relação à Gordie e seus amigos, juntos, eles eram felizes como adulto nenhum é. O filme mostra com eficiência o quanto é pura a amizade entre os jovens, marcada por inocência e sinceridade, que todos sabem que um dia irão se extinguir. Da mesma forma que as amizades de infância ficam marcadas, mas são muito difíceis de serem cultivadas até a idade adulta. Gordie, Chris, Teddy e Vern, mesmo com personalidades completamente diferentes, eles eram almas que se completavam.

A aventura de ir em busca de um corpo não encontrado pela polícia e a possibilidade de encontrá-lo e se tornarem heróis, é a representação dos sonhos de qualquer jovem de querer aparecer, de poder de tudo. Algo semelhante a um aluno com fama de burro responder a uma pergunta difícil na sala de aula, em frente a todos. O jovem sente a necessidade de viver com emoção cada momento da vida, antes que seja tarde demais. Agindo da forma que lhes convém e achando que assim adquirem superioridade e independência, sentem todo o poder ao invadir um local proibido ou simplesmente fumar um cigarro. O filme mostra com delicadeza todas essas sensações de ser jovem.

Em um determinado momento do filme, ao tomarem banho num rio, Teddy começa a brincar de afogar seus colegas. Chris fala para ele: “Vamos Teddy, aja de acordo com a sua idade”. Teddy não pensa duas vezes ao responder: “Estou agindo de acordo com a minha idade. Sou jovem, e a juventude só vem uma vez em nossas vidas. Temos de aproveitá-la”. Analisando este diálogo, vemos o quanto nós, humanos, temos aquela “pressa para crescer” e deixamos de aproveitar ótimos e raros momentos de nossas vidas. Olhando com os olhos de hoje, podemos lembrar do quanto era bom a juventude, sem maiores responsabilidades, e bate aquele arrependimento por não termos aproveitado melhor aqueles anos de ouro. Não é exagero dizer que os melhores momentos da vida de cada um de nós são quando nos bate aquele “espírito de criança”, fazendo-nos contar piadas, rir-mos das próprias besteiras ou frescar com a cara daquele seu amigo do peito.

È impossível não se identificar com pelo menos um dos quatro garotos do filme, que por sinal, são interpretados com maestria pelos jovens astros. A química demonstrada entre eles é tão verdadeira, que parece que eles realmente são amigos de longa data. É uma pena que nenhuma dessas jovens promessas tenha conseguido um futuro decente no cinema. Will Wheaton, justamente o intérprete de Gordie, é o mais fraco dos quatro, e caiu no sumiço após esse papel. Enquanto River Phoenix, espetacular como Chris Chambers, se tornou uma grande promessa, atuando como o jovem Indiana Jones em “Indiana Jones e a Última Cruzada” e em dramas como “Garotos de Programa” de Gus Van Sant, até morrer de overdose em 1993. Corey Feldman, intérprete do perturbado Teddy, é o meu favorito. Sou um grande admirador de seu trabalho por ele ter o a proeza de ter atuado em vários filmes que marcaram a minha infância, como: “Os Goonies”, “Garotos Perdidos”, “Gremlins” e o próprio “Conta Comigo”. Feldman foi outro que teve problemas com drogas, mas se recuperou, e hoje atua em filmes independentes. Jerry`O Connell, intérprete do gordinho simpático Vern, cresceu, virou galã, e hoje continua em ativa atuando em filmes não muito marcantes, como: “Pânico 2”, “Missão: Marte” e “Canguru Jack”. Por outro lado, ele é o atual namorado da belíssima atriz e modelo Rebeca Romijn-Stammos (a intérprete da Mística de “X-Men”).

Na última cena de “Conta Comigo”, Gordie adulto conclui seu livro com uma belíssima frase que resume toda a essência do longa: “Nunca tive amigos como aqueles que tive aos 12 anos. Jesus, mas quem tivera?!” Ao subirem os créditos ao som de “Stand By Me” de Ben E. King (a versão de John Lennon também é linda), é impossível não sentirmos mais leves, e com aquela vontade de ser criança outra vez. Sem dúvidas, o filme mexe com nossa memória, fazendo-nos lembrar daqueles amigos de infância que marcaram nossas vidas, os verdadeiros “amigos eternos” por mais que o contato tenha sido perdido há muito tempo.

Ao término, o “mestre do suspense”, Stephen King, consegue nos trazer a conclusão do quanto éramos felizes e não sabíamos.

- Filme do Dia - Ligeiramente Gravidos


Ligeiramente Grávidos

Após o sucesso inesperado de bilheteria em solo americano, “Ligeiramente Grávidos” estréia no Brasil como uma mistura de comédia, conflitos amorosos e uma pitada de drama. O novo projeto de Judd Apatow consegue um resultado positivo, mesmo com suas eventuais falhas.

Na trama, Ben Stone (Seth Rogen) é o típico largadão que mora com os amigos, não tem renda financeira e adora curtição. Meio a drogas, atrapalhadas e um projeto falido de um site quase pornográfico, Ben não possui responsabilidades e muito menos quer tê-las. Em uma das noites de festa com seus amigos em um clube local, o rapaz conhece Alison Scott (Katherine Heigl), uma atraente jornalista que está comemorando sua promoção com a irmã Debbie (Leslie Mann). Seria meio a muita bebida e dança que Ben e Alison acabariam na cama. A tensão sexual foi tanta que Ben acabou “esquecendo” a camisinha. Oito semanas depois, Alison liga para o rapaz e dá a notícia de que está grávida. Agora os dois precisam aprender a lidar com o bebê que está para chegar, se conhecendo melhor e tentando fazer com que uma relação amorosa entre eles realmente aconteça. Despreparados, os dois passam por situações básicas de um casal gestante.

Custando cerca de 30 milhões de dólares e arrecadando mais do quádruplo deste número somente nas semanas em que imperou no TOP 10 dos Estados Unidos, a comédia de Judd Apatow vem com a idéia que fosse algo bobo, porém agradável, assim como aconteceu em “O Virgem de 40 Anos”. Mesmo tendo passado por apuros ao ser acusado de ter plagiado o roteiro de “Ligeiramente Grávidos”, o cineasta tem se destacado em como fazer comédias com um teor sexual, que cai no clichê, mas acaba conquistando o público com seu carisma. Isto não necessariamente aconteceu com “O Virgem de 40 Anos”, que dividiu opiniões, mas talvez aconteça com maior intensidade com “Ligeiramente Grávidos”. O principal acerto da história de Apatow é conseguir fazer com que os protagonistas sejam acessíveis o bastante, apesar dos momentos surreais. Eles são mais palpáveis do que os personagens secundários, que muitas vezes aparecem gratuitamente nas cenas. De qualquer forma, Ben e Alison conseguem segurar a trama de uma forma interessante, gerando algumas risadas e momentos dramáticos bem colocados. Mesmo assim, o roteiro acaba se demonstrando instável, apelando para situações desnecessárias à trama principal, e deixando o filme mais longo e cansativo na segunda parte.

Na construção da história, a primeira observação correta de Apatow é contrapor os personagens principais. Por mais que não seja novidade que algum deles seja pobre e o outro mais economicamente estável, o destaque vai para a questão da beleza. Alison é extremamente linda e atraente, o que não pode ser dito para Ben. Além do seu estilo de vida “estou nem aí”, ele não se encaixa nos padrões de beleza regidos pela indústria cinematográfica aos galãs, o que acaba gerando um estranhamento na relação inicial do casal. Colocando a culpa na bebida, os dois têm uma noite de amor baseada em loucuras. O dia seguinte é sempre dramático quando não se sabe direito o que foi feito após tanta bebedeira. Depois disso, os dois levam a vida normalmente, até precisarem se encontrar para encarar a gravidez inesperada. Outro acerto é fazer com que os dois não passem por muitos momentos de conhecer um ao outro que acabe gerando uma paixão forçada. Alison e Ben vão se afinando pela convivência, além de compartilhar das mesmas angústias. Isso fica subentendido e não precisa de tanta cena de redenção e juras de amor para convencer o público que eles estão se apaixonando.

Mesmo assim, o erro do roteiro começa com a ingenuidade de Ben. É difícil acreditar que o rapaz não tenha nenhuma reação contra o que Alison diz. Ele não suspeita que o filho pode ser de outro, muito menos levanta questões óbvias de exames genéticos. Além disso, qual a obrigação que os dois tinham em manter um relacionamento? Hoje em dia ter filhos não é mais condição para que um casal se prenda a um relacionamento “pensando na criança”. Por mais jovens que eles sejam, raramente encontra-se a vontade do casamento. Até porque os dois se conheceram casualmente e a gravidez foi um “acidente” gerado pela irresponsabilidade do rapaz. A priori, deve-se dar todo o apoio e compartilhar os momentos da gravidez sim, porém não é uma obrigação ter que se apaixonar. Claro que isso acontece naturalmente com os dois, mas é levantado por Alison logo no começo, quando ela pede apoio a Ben para que eles possam fazer as coisas certas, como casal, em prol da criança.

Outra questão de roteiro que acabou desestabilizando a trama principal foi a questão dos personagens secundários criarem tramas paralelas ineficazes. Debbie (Leslie Mann) e Pete (Paul Rudd) estão ali claramente para servir como base de um relacionamento a dois, e isso assusta os protagonistas. Debbie e Pete estão sempre brigando, desconfiando do amor um do outro e dando um estereótipo da vida de um casal. O que não necessariamente viria a acontecer com Alison e Ben. De qualquer forma, acaba influenciando nas inseguranças de Alison na segunda metade do filme, mas a relação de Debbie e Pete encontra-se fora do fio narrativo principal, mesmo estes sendo personagens carismáticos. Já os amigos de Ben conseguem um resultado bem melhor para a trama. Não diretamente, mas em termos de momentos de comédia e construção escatológica da realidade de jovens despreocupados com o futuro. São momentos que duram até o ato final, quando Alison tem o bebê, e cada risada é sempre bem vinda. A interação de Ben no grupo também é positiva e sempre fica com um gostinho de quero mais.

Na direção, Apatow fez o básico de uma comédia romântica, que muitas vezes deixa os quesitos de câmera e edição em segundo plano. Na realidade, Apatow chega a incomodar com a falta de apuração para resolver as elipses estabelecidas em diversos momentos da história, mas sabe fazer os personagens transitarem da comédia para o drama sem forçar a barra. É com os atores que Apatow faz seu melhor estudo. O cineasta consegue retirar de Katherine Heigl uma atuação diferente do que pode ser visto no excelente seriado "Grey’s Anatomy", pelo qual a atriz ficou conhecida. Sem deixar dúvidas sobre o seu talento, Heigl certamente é uma das grandes apostas para a nova geração do cinema. Em “Ligeiramente Grávidos”, a atriz dosa bem a comédia e o drama em seu personagem, além de proporcionar cenas impagáveis como a do parto. Já Seth Rogen passa pelo bobalhão carismático e sem escrúpulos. Ao final, vemos que seu personagem cresceu com naturalidade, apesar da artificialidade de algumas situações em que é posto, como quando Ben defende que tem o direito de assistir ao parto, e não a irmã de Alison.

A direção de arte foi bastante feliz com a barriga que Heigl teve que usar durante a gravidez. São raros os momentos em que parece artificial e logo temos a impressão de que a atriz está mesmo grávida. Além das mais de duas horas de duração, a falta de uma trilha sonora mais eficiente é sentida, até para aliviar os momentos em que a história se arrasta. De qualquer forma, “Ligeiramente Grávidos” agrada pela abordagem dos temas que faz, deslizando desde a gravidez indesejada, a sinceridade (ou a falta dela) em relacionamentos e preconceitos. Uma história simples que, mesmo com os erros, acaba sendo simpática o bastante para conquistar o público. Não me admiro se alguém sair do filme com a vontade de ser pai ou mãe. Ou não.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Férias Frustradas de Verão


Lançado precipitadamente direto em DVD no Brasil, “Férias Frustradas de Verão” é uma comédia romântica juvenil nostálgica e tocante.

Qual o critério de seleção dos distribuidores brasileiros ao decidirem se lançam ou não um filme nos cinemas? A pergunta reflete uma indignação antiga de cinéfilos nacionais que já se cansaram de ver produções brilhantes saírem direto em DVD, enquanto outras medíocres têm seu lugar garantido nas telonas. Devido a decisões do tipo, somos forçados a assistir preciosidades cinematográficas em uma televisão pequena no sofá de casa sem a mesma emoção e clima da grande sala escura. Como se não bastasse, ainda tratam de dar ao longa um nome ridículo à lá Sessão da Tarde, dificultando sua identificação pelos que já ficaram de olho no bom lançamento internacional. Mas “Férias Frustradas de Verão” (“Adventureland”, em título menos vergonhoso) supera a tudo e a todos com sua trama que homenageia as saudosas comédias românticas juvenis dos anos 80.

A película traz todos os elementos típicos dos filmes do gênero que hoje são considerados cult por quem viveu essa década única. Estamos exatamente em 1987. James Brennan (Jesse Eisenberg) acaba de se formar no colégio, mas as suas pretensões para o futuro não começam nada boas. Um “fora” de uma garota com quem vinha “ficando” nos últimos dias é o primeiro indicativo de um período negativo que pode vir pela frente. No entanto, nada se compara a uma notícia dada por seus pais: eles não tem mais condições financeiras para manter o filho em uma eventual faculdade de Jornalismo em Nova York e de dar a prometida viagem à Europa pós-formatura. Brennan terá de trabalhar no verão para financiar os próprios estudos.

Sem um currículo qualificado, o garoto consegue apenas um emprego no parque de diversões local, o Adventureland, como controlador dos jogos de sorte. Como ele, dezenas de jovens estão em busca de um dinheirinho extra. Entre narrações de corridas de cavalo e ameaças de clientes ávidos por um urso de pelúcia, Brennan faz amizades. Lá ele conhece os loucos donos do parque, Bobby (Bill Hader) e Paulette (Kristen Wiig), o cara da manutenção, Mike Connell (Ryan Reynolds), o nerd ateu, Joel (Martin Starr), e a gostosona Lisa P. (Margarita Leviava). Entretanto, ninguém lhe prende mais a atenção do que a bela Em Lewin (Kristen Stewart).

“Férias Frustradas de Verão” é nada mais do que o reflexo da inocência da juventude dos anos 80 se comparada com a da atualidade, até mesmo cinematograficamente. Basta olhar para o currículo do diretor do filme para constatar essa realidade. Enquanto que em “Superbad – É Hoje”, George Mottola retrata uma história regada a muita bebida, referências sexuais e nomes feios, aqui ele realiza algo bem mais leve e romântico. Não que faltem bebidas e sexo, mas aqui esses fatores não são a mola mestra. A amizade e o amor guiam os ideais destes jovens sonhadores.

Assim como os excelentes “Curtindo a Vida Adoidado” e “Clube dos Cinco”, dois marcos da década de 80, este filme reúne todos os elementos para se tornar um novo clássico juvenil, apesar de os tempos serem outros. Como característica mais marcante temos uma trama aparentemente fútil que mostra uma eventualidade na vida de um adolescente. Mas as histórias crescem. A banalidade dá lugar ao importante amadurecimento destes jovens e, quando menos esperamos, a emotividade faz destes filmes inesquecíveis. O caricatural é outro selo destes longas e “Férias Frustradas de Verão” faz uso desta propriedade com louvor porque é gradual e discreto. Os donos do parque são responsáveis pelo fator comédia, enquanto Lisa P. é sinônimo de sensualidade. A moça não hesita em demonstrar seu belo corpo enquanto dança com suas calças apertadas e coloridas no meio do público.

No entanto, é por James Brennan que o longa triunfa. O rapaz passa por aquelas fases indefinidas em que não se sabe se é adolescente ou adulto. Algumas responsabilidades surgem, enquanto outras ficam longe de quererem ser assumidas. Roteirizado pelo próprio Mottola, o enredo é sutil ao tratar sobre as mudanças que estão ocorrendo na vida de Brennan. A virgindade dele é guardada para alguém especial, já o uso de drogas acontece a qualquer momento, mesmo com certa moderação. Outro acerto do roteiro é não deixar os problemas ligados unicamente ao rapaz e seus amigos. Os pais deles também enfrentam dificuldades, com destaque para o pai de James que, após sofrer um decesso no emprego, se rende à bebida, mesmo que escondido da família.

Em época de inúmeras comédias românticas adultas, quem imaginaria que uma relação entre dois jovens seria uma das mais maduras do ano? James e Em protagonizam nada menos do que uma das histórias de amor mais bonitas do cinema dos últimos tempos. Tudo começa com uma gentileza da moça, que o salva de ameaças de clientes imbecis. Depois, passa para uma amizade inocente e, quando eles menos percebem, vira uma paixão de verão. Entraves existem para que essa relação prossiga. Ela tem um caso secreto com o mecânico metido a cantor e é bem mais experiente sexualmente do que James. Mas a simpatia e a inteligência do rapaz é exatamente o que Em precisa para enfrentar as responsabilidades da vida adulta que batem diariamente a sua porta.

Entre beijos tórridos, abraços verdadeiros e conversas reveladoras, os personagens são embalados por uma belíssima trilha sonora que reúne baladas famosas dos anos 80. É impossível resistir aos refrões de “Your Love”, de The Outfield, de “Sattelite of Love”, de Lou Reed, de “Pale Blue Eyes”, do Velvet Underground, e de “Don’t Change”, do INXS. Músicas de Crowded House e David Bowie também compõem a lista de canções melancólicas do filme, transformando a produção em uma incrível jornada de autoconhecimento. James, Em, Lisa P., Joel e Frigo são os nomes de alguns dos personagens cujas experiências de verão adorariam ser vividas por cada um de nós. Nem mesmo com um final açucarado demais, “Férias Frustradas de Verão” deixa de ser um dos melhores filmes do ano. Alugue e se delicie!

Notorious B.I.G – Nenhum Sonho é Grande Demais


Baseado na vida do rapper Notorious B.I.G, o filme do diretor George Timan Jr. apresenta o mundo do rap de forma interessante e muito competente. Uma ótima aula sobre o gênero.

Notorious B.I.G foi um dos nomes mais importantes do rap na famosa “Costa Leste”, em Nova York, juntamente com seu parceiro e maior incentivador Puffy Daddy. Biggie Smalls (outro apelido de B.I.G) traficava no Brooklin e já aos 17 anos, quando não estava preso, mostrava o domínio da rima entre seus companheiros. Na “Costa Oeste” estavam Dr. Dre e Tupac, fazendo muito sucesso naquele novo cenário do rap que emergia com força, esquecendo as roupas coloridas de alguns anos atrás (muitas coisas boas naquela época, com exceção do Mini Vanilli, aquele lixo nuclear), e mergulhando no submundo e na realidade crua dos indivíduos em questão.

O filme de George Tillman Jr. realmente surpreende. Acompanhado por diversos amigos, ou melhor, escudeiros que dividirão o palco com Big Poppa (outro apelido), realmente ficaria difícil de a realidade não saltar a tela. A produção pode parecer limpa demais em alguns momentos, mas podemos entender o espírito soul e funk presente, que permite essa certa discrepância, puxando tudo para as cores e tons do ritmo, elementos esses que o rapper manteve em suas músicas, meio a contragosto, como mostra o filme, mas foi um bom conselho de seus produtores, pois foi aí que ele disparou para o sucesso. Muito sucesso mesmo.

A mão do diretor se mostra um tanto limitada, mantendo um estilo neutro, talvez para viabilizar de forma mais coesa a informação para aqueles que não conhecem nada da história, o que é normal. Mas é no roteiro de Reggie Rock Bythewood e Cheo Hodari Coker que a obra ganha força. Passando pela infância e juventude do cantor – e só, pois afinal Christopher George Latore Wallace (nome verdadeiro) morreu aos 24 anos de idade -, toda sua personalidade foi composta de forma impecável, mostrando sua iniciação no crime, sua amizades, até o momento em que ele decide sair da rua e apostar na carreira, indo a eventos em faculdades pelo país.

Uma das críticas mais certeiras do filme foi o papel da mídia em volta dos atritos que viriam a surgir entre Tupac e B.I.G, sendo ela, a própria mídia, uma das principais influências na morte dos dois rappers. Rodeada por muita confusão, a história dos dois amigos, que trocavam improvisos constantemente em festas, é realmente triste, levando em conta o talento e expressão deles.

O time de atores é muito competente. Oo universo real está muito bem inserido no filme e seus atores são a maior prova disso. Jamal Woolard, que interpreta Christopher ‘Biggie’ Wallace, é praticamente um clone do cantor. O papel certamente seria difícil para atores comuns, mas logo se percebe que Jamal entende perfeitamente B.I.G. A mesma linha é seguida com a maioria dos coadjuvantes, como o excelente Marc John Jefferies, outro clone do pequenino amigo Lil Cease. Derek Luke, que fez o fraco “Milagre em Sta. Anna” de Spike Lee, está muito bem como Sean ‘Puffy’ Combs. O ator Anthony Mackie, que tem bons filmes no currículo como “Código das Ruas” também de Spike Lee e o excelente “Guerra ao Terror” da diretora Kathryn Bigelow , dá vida a Tupac Shakur, a lenda da “Costa Oeste”. Ele é bem sucedido ao tentar reproduzir toda a loucura e paranóia que havia no personagem.

Já no time das mulheres temos a lindíssima e muito talentosa Naturi Naughton, interpretando a cantora Lil Kim. Kim foi amante e parceira de B.I.G por muitos anos, sendo que o cantor se tornou seu produtor musical, mas nunca foi mais que isso. Muita raiva surge quando aparece a também cantora Faith Evans, com quem B.I.G se casa. Evans é interpretada pela também excelente Antonique Smith, ótima cantora. E fechando temos a experiente Angela Bassett como a mãe de B.I.G, Voletta Wallace, trazendo assim mais moral para o filme.

Outro elemento positivo foi o realismo dedicado às apresentações do cantor. Nos extras podemos conferir a anatomia das apresentações de Frank White (outro apelido de B.I.G). A riqueza de detalhes é muito grande, mesmo com quase 20 caras avulsos em cima do palco. Todos os atores que cantam no filme desempenham muito bem a função, e isso dá ainda mais vibração para os shows, que eram feitos praticamente sem cortes. Essa preocupação de semelhança buscada pelo diretor só fortalece o intuito de contar as coisas como elas realmente aconteceram. O único problema é que não há tradução nos extras, mas para aqueles que têm facilidade, o inglês do diretor George Tillman Jr. é possível de ser acompanhado e vale a pena conferir.

B.I.G foi um cara excepcional. Teve uma vida conturbada e superou as adversidades impondo respeito com seu talento. Morreu jovem em Los Angeles, viagem que fez para promover seu novo disco e tentar por um fim na guerra imposta entre leste e oeste. Mas o suposto “acerto de contas” foi executado e duas das maiores vozes do rap se calaram. Seu disco que estava pronto saiu como “Life After Death” e vendeu milhões de cópias. É considerado um dos melhores discos do gênero. Esta é uma história que merece ser contada e lembrada.

- Filme do Dia - O Virgem de 40 Anos


Virgem de 40 Anos, O
Steve Carell é O Virgem de 40 Anos, e sem dúvida, é a melhor revelação do ano. Evocando os velhos tempos dos Irmãos Farrely, o diretor estreante nos cinemas Judd Apatow, conta uma história se apoiando no quase imaginário.
Atualmente, para se fazer uma comédia acima da média, precisa-se apenas uma coisa: originalidade. Isso é com certeza o grande trunfo de O Virgem de 40 Anos. Atualmente, ver uma comédia boa mesmo, excluindo todas as possíveis vertentes para o romance ou para o drama, é algo bem difícil. Pelo menos para mim. Já faz um bom tempo que não via uma comédia assim, que busca na sátira, na paródia ao ser humano com um leque de referências, retratar da maneira mais escrachada e exagerada possível para atingir a risada, melhor dizendo, a gargalhada do espectador. Não condeno isso de maneira alguma. Não é uma comédia cabeça que te faz raciocinar, ou um pastelão artístico – estilo de Chaplin. É a comédia feita para rir, "besteirol", que não deixa de ser inteligente. As sacadas são geniais. Fazia tempo que não gargalhava tanto no cinema, fazia muito tempo.
Evocando os velhos tempos dos Irmãos Farrely, o diretor estreante nos cinemas Judd Apatow, conta uma história se apoiando no quase imaginário. Quando vi o trailer, a primeira coisa que me veio à cabeça foi a imagem do diretor Skinner, de Os Simpsons, um homem de 44 anos ainda virgem. Imaginem um homem com 40 anos virgem. Hoje em dia, é difícil se pensar em alguém com 20 anos virgem. A nossa sociedade se tornou tão precoce, que só de ver um título desses, um sorriso é produzido. Virou irreal, fantasia. Mesmo nos tempos passados, uma hipótese dessa era estranha – mesmo que fosse escondido, como a Rainha Virgem, que de virgem não tinha nada. Até mesmo padres, celibatários, é difícil imaginá-los virgem, devido a toda corrupção da Igreja. É só assistir a O Nome da Rosa para evidenciar isso. De maneira alguma quero dizer que não há celibatários oficiais virgens, com certeza existem, mas cada vez mais é difícil encontrá-los. Por isso soa tão absurdo a idéia de alguém com 40 anos ser virgem. O filme ainda coloca o sexo como diferenciador, o virgem era imaginado como um psicopata por seu colega de trabalho de tão pavorosamente patético que era e ao mesmo tempo apavorante.
A originalidade do filme vem cargada nisso. O cara é tão vazio, tão patético, que é um crianção, não em maturidade, mas na questão do prazer, já que seu motivo de adoração são seus brinquedos – seus bonecos -na embalagem original. Outro detalhe que me remete a "Os Simpsons", na personagem do dono da loja de quadrinhos e um fim de semana conturbado, é quando ele sente desejo por um determinado tipo de sanduíche. Até que um dia ele é convidado para jogar pôquer, e uma cena hilária sucede-se. A partir daí, todos os esforços dos agora amigos serão revertidos numa tentativa de fazê-lo transar, a qualquer custo.
Andy – o virgem -, é, quanto ao sexo, como um garoto de 12/13 anos, que quer saber de tudo sobre sexo. Posições, como fazer na hora, dicas, entre outras coisas. E o paralelo que se pode ver nisso é com a juventude, com o diferencial que ele é um sujeito frustrado.
Para não ser um pretenso estraga prazeres, não contarei outras referências, e nem descreverei as cenas, só irei mencionar as melhores: quando descobrem que ele é virgem, a depilação, colocando a camisinha, visitando um centro de ajuda sobre sexo, falando com a mocinha da loja ao lado, quando David o presenteia com uma caixa e a brilhante cena final.
Vocês conhecem um cara chamado Steve Carell? Ele andou fazendo umas comédias, sempre como coadjuvante. Ele é Evan Braxter de "Todo Poderoso" e Brick Tamland de "O Âncora". Quem viu os filmes sabe que ele é um dos grandes atrativos – a melhor cena de Todo Poderoso é protagonizada por ele – e agora, ele virou o principal. Steve Carell é O Virgem de 40 Anos, e sem dúvida é a melhor revelação do ano, e é dono de uma das melhores performances do ano. Só vendo para descobrir que ele será um dos grandes comediantes, colocando para trás nomes como Ben Stiller e até mesmo Jim Carrey – pelo menos no âmbito da comédia. A expressão dele é fenomenal, sua tonalidade de voz, sua maneira exaltada, são perfeitas. Ele é a razão para esse filme ser tão engraçado. Sinceramente, deveriam chover nomeações a prêmios e propostas de trabalho. O cara é fenomenal.
Pode até ser que eu esteja superestimando essa comédia, que tem sua ingenuidade no grotesco, e pode até ser taxada de mau gosto, mas não se pode negar a originalidade do roteiro, peculiar, irônico, satírico e com uma boa dose de humor negro. Finalmente, esse gênero está de volta com um bom representante.
A trilha sonora também tem seus atrativos.
Eu queria me prolongar, mas não quero estragar nenhuma possível cena do filme, pois o seu grande deleite é assisti-lo e rir, gargalhar, pois a comédia foi feita para isso, ainda mais essa, descompromissada, e cheia de achados, que tem em seu poder, o excelente emprego das referências, seja explícita, seja na paródia.
Só deixando uma cena:
Cal: Be David Caruso in Jade.
Beth: [Andy is staring at her] Can I help you?
Andy Stitzer: Do I need help?
Beth: Ummm… is there something you are looking for?
Andy Stitzer: Is there something I should be looking for?
Beth: We have an extensive do-it-yourself section.
Andy Stitzer: Do you like to … do it yourself?

“Avatar” assume a segunda posição em bilheteria na história do cinema


Era só questão de tempo. Muito se falou sobre “Avatar“, principalmente sobre seu grande orçamento (US$ 400 milhões em produção e divulgação), que o tornou o filme mais caro já feito e gerou discussões sobre se o longa de ficção científica, que prometia ser o mais novo clássico do gênero, conseguiria retorno suficiente nas bilheterias. Agora o mundo do cinema está aos pés do diretor James Cameron, de novo.

Em pouco menos de 20 dias de exibição, o filme já atingiu a marca de 1 bilhão e 131 milhões de dólares arrecadados em todo o mundo. Tornado-se o 2º filme de maior arrecadação da história do cinema, atrás apenas de “Titanic”, vencedor de 11 Oscars, também do diretor.

O top5 mudou e ficou assim:

1. Titanic – US$ 1,842,879,955
2. Avatar – US$ 1,131,752,464
3. O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei – US$ 1,119,110,941
4. Piratas do Caribe: O Baú da Morte – US$ 1,066,179,725
5. Batman – O Cavaleiro das Trevas – US$ 1,001,921,825

A pergunta é: será que ele vai passar Titanic?

Na trama, um jovem soldado paraplégico (Sam Worthington) é recrutado para uma missão onde tem que se infiltrar entre os membros da população do planeta Pandora (os Na’vi) através de um avatar com DNA dos nativos. Sua missão é descobrir a fonte de uma preciosa pedra utilizada para gerar energia. Mas sua ligação com os nativos coloca-o em conflito entre os humanos e os Na’vi.

No Brasil, “Avatar” já faturou 35 milhões de reais e foi visto por mais de 3,6 milhões de pessoas.