-AHHHHHHHHHHHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA !!!-
Pra começar está sessão é para indicar filmes para quando você chega do trabalho em um dia dificil de trabalho, ou o seu time perdeu, ou a pessoa que vc amo te deixou muito mal, ou sei lá (alguem que tenha morrido). O importante é somente nesta sessão é tentar curtir um bom filme e tentar esquecer as coisas ruins da vida.
São 3 filmes basicos só para começar:

1º- Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final, O
Um filme que permanece visualmente atual até hoje, “O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final” é uma obra-prima do cinema de ação, que traz toques de filosofia, ficção e até drama para o gênero, de uma maneira única e sem prejuízo da adrenalina.
Nos sete anos que separam o primeiro "O Exterminador do Futuro" desta continuação, que ganha o subtítulo "O Julgamento Final", o diretor James Cameron se tornou um cineasta mais maduro e as capacidades técnicas para se colocar na tela a história que o diretor/roteirista imaginou o acompanharam. Mesmo atualmente, o filme é completamente irrepreensível do ponto de vista técnico. No entanto, existem ínfimas falhas narrativas as quais serão analisadas posteriormente.
Após um breve prólogo mostrando que a guerra no futuro apocalíptico continua, o filme nos leva um pouco mais de uma década após os eventos do longa original. Sarah Connor (Linda Hamilton) está presa em um hospital psiquiátrico para os criminalmente insanos, diagnosticada como louca após tentar explodir uma fábrica de computadores tentando evitar a ascenção da super máquina Skynet. Seu filho, o futuro salvador da humanidade John Connor (Edward Furlong) está com pais adotivos.
O jovem cresce rebelde, usando os conhecimentos de informática, mecânica e de combate aprendidos em seu tempo com a mãe para pequenos furtos, se sentindo traído após a prisão desta, acreditando também que ela é insana. No entanto, John se depara com um brutal despertar quando um novo modelo de Exterminador, o T-1000 (Robert Patrick), chega do futuro para matá-lo.
Também chegando do século XXI está um novo T-800 (Arnold Schwarzenegger), reprogramado pelo John Connor daquela época para proteger sua versão mais jovem. Após resgatar Sarah do hospital psiquiátrico, esse grupo de renegados terá a missão de levar a cabo as palavras de Kyle Reese e mostrar que realmente "não há destino se não o que fazemos", impedindo a rebelião das máquinas e o vindouro apocalipse.
Já nesta sinopse já é possível notar que há um escopo maior na trama. Se anteriormente o foco era levar a cabo o destino, aqui o objetivo é alterá-lo, algo consideravelmente mais complicado, possibilitado teoricamente pelo próprio Kyle Reese, que havia afirmado que o seu futuro horrendo era apenas "um futuro possível". Como roteirista, James Cameron jamais esquece a mitologia criada por ele na fita anterior. Trabalhando ao lado de William Wisher Jr. no script, a dupla se utiliza de pequenos pontos deixados na fita original para contar a história desta produção.
São resgatadas coisas como o fato de que cães poderem detectar os exterminadores, o psicólogo forense Silberman, a foto tirada pelo garotinho hispânico de Sarah (e que será dada no futuro por John para Kyle), a já citada frase proferida pelo Connor do futuro e enviada para sua mãe e, principalmente, a mão esmagada do primeiro T-800. São elementos que podem parecer ínfimos – e por vezes até o são – mas que ajudam a estabelecer a sensação de continuidade, algo importantíssimo para as ambições que o cineasta propõe com esta película.
Ainda há a inserção, mesmo que tímida, de um tema mais complexo. Se, no primeiro filme, a noção que tínhamos das máquinas era de que estas eram criaturas frias e de que aquele futuro horrendo ocorreu por uma decisão de pura lógica e "maligna" da Skynet, há uma menção de que este sistema automatizado de defesa somente declarou guerra contra a humanidade em um ato de auto-preservação, depois que os humanos que a operavam tentaram desligá-la, entrando em pânico após perceberem que a máquina havia adquirido consciência.
A própria relação entre o Exterminador T-800 e John Connor é altamente paternal. O Exterminador chega a dizer que seu sistema foi desenhado para aprender com novas experiências e afirma ainda que sente uma versão própria de "dor". Buscando entender como funciona as dinâmicas entre os seres humanos, o Exterminador passa a se parecer cada vez mais com eles, mimetizando as reações e os sentimentos destes enquanto protege incansavelmente o pequeno John.
A relação entre o trio T-800/John/Sarah é extremamente valiosa para que o funcionamento do filme. Inicialmente, a dinâmica dominante é entre o Exterminador e seu protegido, com o comportamento de um sendo imprescindível para tornar o outro mais simpático junto ao espectador. Sem o Exterminador, John seria apenas um moleque ridiculamente chato enquanto sem o jovem ao seu lado, T-800 jamais começaria a tentar entender as nuances do comportamento humano, e seria tão simplista quanto seu antecessor.
Daí chega Sarah Connor. Inicialmente Sarah parece bastante fria, sem em nada lembrar a adolescente tão humana que havia aparecido no primeiro filme. No entanto, aos poucos, percebemos quanta humanidade há nela, que acaba por extravasar em um dos momentos mais fortes do filme. Psicologicamente maltratada por ser uma Cassandra moderna, fadada a ver um amanhã terrível sem ninguém acreditar nisso, é o amor por John que faz com que vejamos novamente a centelha de humanidade floresça nela.
Tais características, no entanto, jamais transpareceriam para o espectador não fosse a ótima química entre Arnold Schwarzenegger, Linda Hamilton e Edward Furlong. O primeiro, já mais experiente como ator, se faz valer até de suas fraquezas dramáticas para interpretar seus personagens. Parece mesmo que Schwarzenegger estava realmente aprendendo a agir como humano no decorrer do filme. Sem contar que ele aqui está no auge de sua forma como herói de ação. Poucos homens conseguem ser tão brutos enquanto dirigem uma motocicleta e atiram com uma escopeta ao mesmo tempo.
Linda Hamilton, por sua vez, mostra muito bem a complexidade de Sarah Connor, dividida entre a dureza militar que teve de encarnar para sobreviver ao que virá e a ternura de seus sentimentos por John, com destaque para suas cenas no hospital psiquiátrico e para aquela que se passa na residência dos Dyson, na qual a atriz está absolutamente fantástica, se mostrando dividida entre sua missão e o que considera moralmente correto.
Edward Furlong, por sua vez, é pura energia, contagiando o público como o rebelde Connor. Suas interações com Schwarzenegger, que, conforme já dito anteriormente, limam o efeito "menino-prodígio" do jovem personagem, já valem o filme, sendo cômicas e dramáticas na medida correta. Pena que o ator não teve uma das carreiras mais brilhantes após este longa, pois se mostrava um jovem bastante promissor.
Já o vilão T-1000 de Robert Patrick não chega a ser tão marcante quanto o T-800 no longa original. No entanto, o modo como Patrick "corre" em sua forma humana atrás de suas presas consegue ser tão neutro que chega realmente a assustar. Sem contar que, como se trata de um infiltrador mais avançado, sua interação com humanos é mais "naturalmente forçada", chegando ao ponto de provocar arrepios.
No entanto, para contar uma história maior, Cameron não se furta em ampliar o foco de sua câmera. Se na fita anterior víamos o predomínio de cenas noturnas e escuras, com uma quase ausência de cenas mais ambiciosas em ambientes mais iluminados, o diretor já engata uma incrível perseguição automobilística em plena luz do dia, envolvendo uma moto e um caminhão (em nova referência a "Transformers"). Aliás, o longa todo tem um visual mais "claro", uma boa opção do cinematógrafo Adam Greenberg.
É extremamente difícil escolher a cena de ação mais eletrizante neste filme. Desde a já citada perseguição automobilística, passando por uma sequência envolvendo um helicóptero, o tenso resgate de Sarah Connor… Enfim, James Cameron realmente fez o que quis nesta película contando, mais uma vez, com o auxílio do já falecido mago da maquiagem e das criaturas Stan Winston. No entanto, Winston não foi a única arma de Cameron, que recrutou a Industrial Light & Magic para criar os fabulosos efeitos de metal líquido para o T-1000, criando perfeitamente o maleável, cromado e implacável perseguidor deste longa.
Mesmo se utilizando da computação gráfica para como parte do novo vilão, o diretor jamais se furta de se utilizar efeitos práticos e explosões reais nas cenas de ação do longa, ressaltando-se ainda o espetacular trabalho da equipe de dublês da fita, altamente competentes. A trilha sonora de Brad Fiedel, que havia sido um dos pontos fracos do primeiro episódio, finalmente encontra o tom certo. Em sua parte musical, o longa ainda conta com breves som do bom e velho rock, representados por "Bad to The Bone" de George Thorogood and The Destroyers e "You Could Be Mine" da banda Guns N' Roses, que chega até a ser referenciada no filme em uma sequência de ação que conta com… armas e rosas!
Na montagem do longa há um pequeno problema, já que o filme começa à toda velocidade e acelerando quando, de repente, há uma diminuição brusca no ritmo da fita, para depois voltar ao passo anterior. Neste momento mais "calmo", acaba havendo uma quebra no crescendo do filme que chega a incomodar, mas não chega a comprometer. Há ainda dois pequenos furos de roteiro já durante o clímax do filme, mas já era tarde. Mesmo imperfeito, a fita já havia se tornado tão marcante que meros deslizes não a diminuiriam tanto assim.
A mensagem da secretária eletrônica de Sarah Connor, lá no primeiro filme, dizia que "as máquinas também precisam de amor". Este "O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final" provou que ela estava certa, já que foi esse sentimento que levou a mitologia a um novo patamar. No entanto, o filme jamais esqueceu que ninguém vive somente de amor, misturando-o com uma dose cavalar de ação, resultando em uma das melhores ficções científicas já produzidas e em um dos maiores clássicos cinematográficos dos anos 1990, sendo atual até hoje. Recomendado.

2º- O Clube da Luta
No caso do Clube da Luta, esse algo a mais é simplesmente excepcional. Possibilitando-o ter várias interpretações, servindo, por exemplo, de inspiração para brincadeira de moleque a objeto de uma amostra sobre a violência no cinema organizada por uma universidade federal.
ATENÇÃO: Se você ainda não assistiu ao filme, lembre-se que aqui nesta matéria contém fatos que podem revelar algo do filme ou de sua história ("spoilers"), por isso fica ao seu critério ler ou não a matéria.
Em uma trama envolvente, o filme o leva por uma edição rápida e confusa, que lhe traz à atmosfera do mundo criado pelo personagem de Edward Norton (conhecido apenas como “narrador”). No começo, temos um papo sobre comprar coisas em catálogos e sobre o valor que isso tem em nossas vidas, filosofia barata? Não mesmo. Com o decorrer do filme, destacam-se as fortes cenas de luta, violentas por sinal, assim como as missões da organização criada por Tyler Durden, personagem de Brad Pitt. A essa altura, já nem lembramos mais daquele começo filosófico sobre o consumismo, mas nesse ponto é que a aplicação dada a essa “filosofia” chega ao ápice.
Se você ainda não assistiu a esse filme e não gosta de que lhe contem detalhes do filme, pule esse parágrafo, posso estragar uma grande surpresa. Na verdade, os personagens de Edward Norton e Tyler Durden são a mesma pessoa. Tal fenômeno é conhecido como distúrbios de personalidade múltipla, teoria psicológica que estava muito em voga na época em que o filme foi feito.
Esse distúrbio é causado muitas vezes por sentimentos reprimidos ou por traumas anteriores, destarte a pessoa realiza uma dissociação em seu cérebro. No caso do filme, o personagem de Edward Norton era um escravo do sistema e queria libertar-se. Incapaz porém de realizar esse desejo, criou Tyler Durden que, como este próprio diz: “eu aparento como você (personagem de Edward Norton) quer aparentar, eu trepo como você quer trepar, sou esperto, capaz e, o mais importante, livre em todas as maneiras que você não é”. Quando pensamos que pára por aí, o filme vem com mais uma: vários pontos de uma corrente psicológica chamada de Psicologia Crítica são abordados no filme, tais como a do Homem Unidimensional. Vale a pena salientar outro ponto positivo do filme. O fato de Tyler Durden ser o amigo imaginário do “narrador” pode ser percebido em várias cenas do filme, não é muito difícil, porém não deixa de ser sutil. É um ponto positivo, porque não há uma trama mirabolante como, por exemplo, os filmes do Shyamalan, que acabam deixando tudo sem pé nem cabeça durante a trama, só para evitar ao máximo que adivinhemos o final. É somente aqui, no final, que ele encaixa umas peças que faz com que tudo faça sentido. Nada contra o Shyamalan, ele é brilhante, seus filmes são bons e ainda trazem uma certa crítica junto.
Psicologia Crítica é uma teoria cujo um dos responsáveis foi Marcuse. De forma bastante resumida e leiga, pois eu definitivamente não domino o assunto, seria o seguinte: somos escravos do sistema e a única maneira de sair desse sistema é criando o seu próprio. Não adianta dizer: ah, mas eu sou um independente e alternativo! Jamais estaria dentro de um sistema! Acredite, você está dentro de algum sistema previsto pelos responsáveis. Quem seriam esses caras? Os poderosos (a elite) de todas as teorias políticas, sociológicas e afins. Só que esses são mais discretos e muitas vezes não são percebidos por nós. Esqueça Bush ou Bin Laden, são pessoas por trás deles. É realmente frustrante saber que por mais que lutemos contra, sempre estaremos dentro de um sistema previsto e por mais que tentemos nos personalizar, acabamos sempre sendo unidimensionalizados, em outras palavras, massificados.
A abordagem do filme quanto a essa teoria é simplesmente fantástica. Começa com uma grande quantidade de informações na auto-descrição do personagem de Edward Norton. Nela ele admite ser um consumista, o qual fica lendo catálogos de compra em vez de pornografia, tentando se definir através do que ele possui e não do que ele é. Até que Tyler chega com a seguinte frase: as coisas que você possui, acabam possuindo você. À medida que o filme vai passando a coisa deixa de ser teórica e passa a ser prática. Tyler Durden cria seu Projeto de Destruição, seu próprio sistema, e atrai muitos seguidores em busca da liberdade prometida. No entanto, seus seguidores acabam apenas trocando de sistema, saindo da alienação de um para a de outro, o que é demonstrado na forma caricatural como alguns membros do Projeto de Destruição comportam-se. Poderia me delongar mais sobre quantos exemplos de Psicologia Crítica encontramos no filme, porém vou deixar isso para os leitores.
Finalmente abordemos aspectos mais técnicos do filme. Com um enredo dessa magnitude, assinado por Jim Uhls, não seria preciso boas atuações, porém os três protagonistas vão além do normal. Brad Pitt encarna seu personagem egocêntrico e confiante. Edward Norton dá um ar inseguro e paspalhão ao seu personagem, modificando-se à medida que este vai adquirindo mais as características de seu “amigo imaginário”. Por fim, a personagem Marla Singer (Helena Carter) completa o trio, com um tom sarcástico, mórbido e irônico. Os detalhes complementares do filme (elenco de apoio, trilha sonora, fotografia…) se não contribuem para abrilhantar o filme, não chegam sequer a arranhar sua excelência.
Estranhamente, a bilheteria foi um fracasso. Tendo custado 65 milhões de dólares, o filme arrecadou apenas cerca de 37 milhões nos Estados Unidos. Creio ser ele, no entanto, um filme de uma aparente proposta ordinária, porém que contém inúmeras surpresas para os mais atentos. Acredite, há ainda diversas críticas e teorias em menor destaque que eu não abordei nesse texto, evitando deixá-lo demasiadamente longo. É uma excelente opção para quem quer apenas se divertir ou quem está procurando algum objeto para aquele trabalho de faculdade, sendo perfeitamente coerente cogitá-lo como uma excelente união entre o Blockbuster e o filme de arte.


3º- Conta Comigo
O célebre escritor Stephen King mostra ser eficiente também em tramas não-sobrenaturais. Baseado na sua obra mais pessoal, em que ele narra um episódio de sua infância, “Conta Comigo” é uma aventura marcada por ótimas interpretações dos jovens atores, além de ser uma tocante lição de vida que exalta a importância da amizade em nossas vidas.
Famoso por suas tramas sobrenaturais como “O Iluminado” e “Cemitério Maldito”, Stephen King emocionou o mundo com “The Body”, sua obra mais pessoal, a qual “Conta Comigo” foi baseada. Tomando como base a si próprio, ele passa toda a emoção de ser jovem e de amizades verdadeiras.
O filme conta a estória de Gordie Lachance (Richard Dreyfuss), um escritor, que recorda quando tinha entre doze e treze anos no verão de 1959, quando vivia em Castle Rock, Oregon, uma localidade com 1281 habitantes que para ele era o mundo inteiro. Gordie tinha três amigos inseparáveis: Chris Chambers (River Phoenix), Teddy Duchamp (Corey Feldman) e Vern Tessio (Jerry O'Connell). Chris era o líder natural deste pequeno grupo, mas a família dele não era boa e todo mundo sabia que ele ia se dar mal na vida, inclusive ele. Teddy era emocionalmente perturbado, pois o pai tinha acessos de loucura, inclusive chegou a colocar a orelha de Ted no forno. Vern era o mais infantil do grupo, quem os outros adoravam tirar sarro. Tentando achar um vidro cheio de moedas que tinha enterrado, Vern ouviu por acaso seu irmão e um amigo falando onde estava o corpo de um garoto que tinha ido colher amoras há três dias e nunca mais tinha sido visto. Os garotos queriam achar o corpo, pois vislumbravam a possibilidade de se tornarem heróis. Cada um deu uma desculpa em casa e partiram para tentar encontrar o corpo. Nenhum deles tinha idéia que esta viagem se transformaria em uma jornada de autodescoberta que os marcaria para sempre.
Não é nada difícil de perceber que Stephen King se espelhou nele mesmo para construir o personagem Gordie. Muitas são as referências no filme que ligam o personagem ao autor, como o fato dele adulto ter se tornado um escritor famoso, desde criança tinha a fama de saber contar estórias surreais (a estória sobre o menino gordo contada por ele em uma cena do filme, é hilariante), o fato de seu irmão mais velho ter morrido vítima de um acidente de carro, além de mostrar um episódio o qual ele assumiu realmente ter acontecido com ele quando criança (o banho no rio cheio de sanguessugas).
Stephen King, através de sua própria história,consegue mostrar como o olhar das pessoas sobre cada um de nós pode influenciar em nossas vidas, mas que por outro lado, podemos sim traçar nossos próprios destinos. Tudo depende de nós. O personagem Gordie (ou o próprio King) era um garoto em que ninguém conseguia enxergar um futuro decente para ele, e ele tinha plena convicção disso. Seus pais sempre deixaram claro a ele sobre a preferência pelo seu falecido irmão (a cena do enterro em que seu pai chega a ele e diz que preferia que fosse ele quem deveria ter morrido, chega a dar um nó na garganta), e suas amizades, não eram o que podiam chamar de “boas influências”. No final, Gordie consegue se dar bem na vida fazendo o que ele tem de mais talentoso: a habilidade para criar estórias. Enquanto Chris Chambers, visto como ladrão por toda a população da pequena cidade, e visto como fracassado por si próprio, consegue se tornar um bem sucedido advogado, mas que por ironia do destino, acaba sendo assassinado ao tentar apartar uma briga.
O roteiro adaptado por Raynold Gideon e Bruce A. Evans é muito eficiente, conseguindo transmitir sem falhas todas as principais lições de vida do livro de King. Enquanto a direção de Rob Reiner (de “Questão de Honra”) é firme, e consegue manter um clima eletrizante, e ao mesmo tempo, sempre leve e divertido, recheado com boas doses de humor, até mesmo nos momentos de tensão que o filme proporciona.
O filme consegue ser tocante desde a sua cena inicial, quando Gordie adulto lê em seu carro a notícia sobre a morte do “famoso advogado” Chris Chambers, seu grande amigo de infância, e se emociona ao ver dois garotos andando de bicicleta, fazendo com que todas às suas lembranças da juventude voltem à sua cabeça em um fluxo de consciência. Isso não acontece conosco? Ás vezes nossas vidas andam tão cheias, que esquecemos o quanto é bom relembrarmos os bons momentos de nossas vidas.
A partir de então, somos jogados à memória de Gordie em sua conturbada infância. Mesmo com a falta de perspectivas quase que geral em relação à Gordie e seus amigos, juntos, eles eram felizes como adulto nenhum é. O filme mostra com eficiência o quanto é pura a amizade entre os jovens, marcada por inocência e sinceridade, que todos sabem que um dia irão se extinguir. Da mesma forma que as amizades de infância ficam marcadas, mas são muito difíceis de serem cultivadas até a idade adulta. Gordie, Chris, Teddy e Vern, mesmo com personalidades completamente diferentes, eles eram almas que se completavam.
A aventura de ir em busca de um corpo não encontrado pela polícia e a possibilidade de encontrá-lo e se tornarem heróis, é a representação dos sonhos de qualquer jovem de querer aparecer, de poder de tudo. Algo semelhante a um aluno com fama de burro responder a uma pergunta difícil na sala de aula, em frente a todos. O jovem sente a necessidade de viver com emoção cada momento da vida, antes que seja tarde demais. Agindo da forma que lhes convém e achando que assim adquirem superioridade e independência, sentem todo o poder ao invadir um local proibido ou simplesmente fumar um cigarro. O filme mostra com delicadeza todas essas sensações de ser jovem.
Em um determinado momento do filme, ao tomarem banho num rio, Teddy começa a brincar de afogar seus colegas. Chris fala para ele: “Vamos Teddy, aja de acordo com a sua idade”. Teddy não pensa duas vezes ao responder: “Estou agindo de acordo com a minha idade. Sou jovem, e a juventude só vem uma vez em nossas vidas. Temos de aproveitá-la”. Analisando este diálogo, vemos o quanto nós, humanos, temos aquela “pressa para crescer” e deixamos de aproveitar ótimos e raros momentos de nossas vidas. Olhando com os olhos de hoje, podemos lembrar do quanto era bom a juventude, sem maiores responsabilidades, e bate aquele arrependimento por não termos aproveitado melhor aqueles anos de ouro. Não é exagero dizer que os melhores momentos da vida de cada um de nós são quando nos bate aquele “espírito de criança”, fazendo-nos contar piadas, rir-mos das próprias besteiras ou frescar com a cara daquele seu amigo do peito.
È impossível não se identificar com pelo menos um dos quatro garotos do filme, que por sinal, são interpretados com maestria pelos jovens astros. A química demonstrada entre eles é tão verdadeira, que parece que eles realmente são amigos de longa data. É uma pena que nenhuma dessas jovens promessas tenha conseguido um futuro decente no cinema. Will Wheaton, justamente o intérprete de Gordie, é o mais fraco dos quatro, e caiu no sumiço após esse papel. Enquanto River Phoenix, espetacular como Chris Chambers, se tornou uma grande promessa, atuando como o jovem Indiana Jones em “Indiana Jones e a Última Cruzada” e em dramas como “Garotos de Programa” de Gus Van Sant, até morrer de overdose em 1993. Corey Feldman, intérprete do perturbado Teddy, é o meu favorito. Sou um grande admirador de seu trabalho por ele ter o a proeza de ter atuado em vários filmes que marcaram a minha infância, como: “Os Goonies”, “Garotos Perdidos”, “Gremlins” e o próprio “Conta Comigo”. Feldman foi outro que teve problemas com drogas, mas se recuperou, e hoje atua em filmes independentes. Jerry`O Connell, intérprete do gordinho simpático Vern, cresceu, virou galã, e hoje continua em ativa atuando em filmes não muito marcantes, como: “Pânico 2”, “Missão: Marte” e “Canguru Jack”. Por outro lado, ele é o atual namorado da belíssima atriz e modelo Rebeca Romijn-Stammos (a intérprete da Mística de “X-Men”).
Na última cena de “Conta Comigo”, Gordie adulto conclui seu livro com uma belíssima frase que resume toda a essência do longa: “Nunca tive amigos como aqueles que tive aos 12 anos. Jesus, mas quem tivera?!” Ao subirem os créditos ao som de “Stand By Me” de Ben E. King (a versão de John Lennon também é linda), é impossível não sentirmos mais leves, e com aquela vontade de ser criança outra vez. Sem dúvidas, o filme mexe com nossa memória, fazendo-nos lembrar daqueles amigos de infância que marcaram nossas vidas, os verdadeiros “amigos eternos” por mais que o contato tenha sido perdido há muito tempo.
Ao término, o “mestre do suspense”, Stephen King, consegue nos trazer a conclusão do quanto éramos felizes e não sabíamos.

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